segunda-feira, 15 de outubro de 2012

23 - O LIVRO DE ISAÍAS



  • Autor: Isaías
  • Tema: Juízo e Salvação
  • Data: Cerca de 700-680 a.C.

Considerações Preliminares

O contexto histórico do livro de Isaías, filho de Amós, foi centrado em Jerusalém durante os reinados de quatro reis de Judá: Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (Is 1.1). Considerando que o rei Uzias tenha morrido em 740 a.C. (cf. Is 6.1), e Ezequias, em 687 a.C., o ministério de Isaías abrangeu mais de meio século. Segundo a tradição, Isaías foi serrado ao meio (cf. Hb 11.37) pelo filho de Ezequias, o ímpio rei Manassés (c. 680 a.C.).
 
Segundo parece, Isaías provinha de uma família influente de Jerusalém. Era um homem cultíssimo, e tinha o dom da poesia. Ele era familiarizado com a realeza, e aconselhava os reis no tocante à política externa de Judá. É considerado o mais literário e influente dos profetas. Era casado com uma profetisa, e tinha dois filhos, cujos nomes representavam mensagens simbólicas à nação.
 
Isaías era contemporâneo de Oséias e Miquéias. Profetizou durante a expansão ameaçadora do império assírio, o colapso de Israel (o Reino do Norte), e o declínio espiritual e moral de Judá (o Reino do Sul). Isaías advertiu o rei Acaz, de Judá, a não buscar ajuda dos assírios contra Israel e a Síria. Advertiu o rei Ezequias, depois da queda de Israel em 722 a.C., a não fazer alianças com nações estrangeiras contra a Assíria. Exortou-os, enfim, a confiarem somente no Senhor (Is 7.3-7; 30.1-17). Isaías desfrutou de sua maior influência durante o reinado de Ezequias.
 
Alguns estudiosos questionam a autoria de Isaías quanto à totalidade do livro que lhe leva o nome. Eles lhe atribuem somente os capítulos 1 a 39. Os capítulos 40 a 66 são atribuídos a outro autor, ou autores, que teriam vindo um século e meio mais tarde. Não existe, porém, nenhum fato bíblico que nos leve a rejeitar a autoria de Isaías para todo o livro. As mensagens de Isaías, nos capítulos 40 a 66, destinados aos exilados judaicos em Babilônia, muito tempo depois de sua morte, enfatizam o poder de Deus em revelar eventos futuros específicos através dos seus profetas (e.g. Is 42.8,9; 44.6-8; 45.1; 47.1-11; 53.1-12). Se aceitarmos os fenômenos das visões e revelações proféticas (cf. Ap 1.1; 4.1 - 22.21), cai por terra o obstáculo principal à crença de que Isaías realmente escreveu o livro inteiro. As evidências que sustentam esta posição são abundantes, e podem ser classificadas em duas categorias: (1) Evidências internas, no próprio livro, que incluem o título em Is 1.1, e os numerosos paralelos e pensamentos marcantes entre ambas as seções do livro. Um exemplo notável é a expressão "o Santo de Israel", que ocorre doze vezes nos capítulos 1 a 39, e catorze nos capítulos 40 a 66, mas somente seis vezes no restante do Antigo Testamento. Nada menos que vinte e cinco formas verbais hebraicas aparecem nas duas divisões de Isaías. Expressões estas não encontradas em nenhum outro lugar dos livros proféticos do Antigo Testamento. (2) As evidências externas incluem o testemunho do Talmude e do próprio Novo Testamento, que atribui todo o livro ao profeta Isaías (e.g., cf. Mt 12.17-21 com Is 42.1-4; Mt 3.3 e Lc 3.4 com Is 40.3; Jo 12.37-41 com Is 6.9,10 e 53.1; At 8.28-33 com Is 53.7-9; Rm 9.27 e 10.16-21 com Is 10.53, e 65).
 
Propósito
 
Fica patente o tríplice propósito de Isaías. (1) Confrontar a própria nação, e outras nações contemporâneas, com a Palavra do Senhor, mostrando-lhes seus pecados e o consequente castigo divino. (2) Profetizar esperança À geração futura de exilados judaicos, que seria restaurada do cativeiro, e à qual Deus redimira como luz aos gentios. (3) Mostrar que Deus enviaria o Messias davídico, cuja salvação abrangeria todas as nações da terra, suscitando esperança no povo de Deus, tanto do antigo como do novo concerto.
 
Visão Panorâmica
 
Os sessenta e seis capítulos de Isaías podem ser divididos naturalmente em duas seções: Isaías capítulos 1 a 39 e Isaías capítulos 40 a 66. Em certos aspectos, Isaías é uma Bíblia em miniatura: (1) sua dupla divisão ressalta o julgamento e salvação, correspondendo aos temas principais do Antigo Testamento e Novo Testamento; e (2) nas divisões de Isaías e da Bíblia, o fio que as ata é a obra redentora de Cristo.
 
(1) A primeira seção de Isaías (Is 1 a 39) contém quatro grandes blocos de profecias. (a) Nos caps. 1 a 12, Isaías adverte e denuncia Judá pela sua idolatria, imoralidade e injustiças sociais durante um período de prosperidade enganadora. Entrelaçadas com a mensagem da condenação vindoura, há importantes profecias messiânicas (e.g. Is 2.4; 7.14; 9.6,7; 11.1-9), e o testemunho do profeta a respeito da própria purificação e de seu encargo para o ministério profético (cap. 6). (b) Nos caps. 13 a 23, Isaías condena as nações contemporâneas por causa de seus pecados. (c) Os caps. 24 a 35 contêm um amplo leque de promessas proféticas de salvação e juízos futuros. (d) Os caps. 36 a 39 registram a história seletiva do rei Ezequias, que forma um paralelo cm 2 Rs 18.13 a 20.21.
 
(2) A segunda seção (Is 40 a 66) traz algumas das profecias mais profundas da Bíblia a respeito da grandeza de Deus e da vastidão de seu plano de redenção. Estes capítulos inspiram esperança e consolo ao povo de Deus durante os anos finais do reinado de Ezequias (Is 38.5) e nos séculos seguintes. Estão repletos de revelações a respeito da glória e poder de Deus, e de Sua promessa em restaurar um remanescente justo e frutífero em Israel e entre as nações, como plena demonstração de Seu amor redentor. Tais promessas, e seu respectivo cumprimento, têm conecção especial com o sofrimento e contém os "cânticos do servo" (ver Is 42.1-4; 49.1-6; 50.4-9; 52.13; 53.12). Elas avançam além da experiência  dos exilados, e prevêem a vinda futura de Jesus Cristo e a Sua morte expiatória (Is 53). O profeta prediz que o Messias vindouro fará com que a justiça brilhe com fulgor, e que a salvação chegue às nações como uma tocha ardente (caps. 60 a 66). Condena a cegueira espiritual (Is 42.18-25) e recomenda a oração intercessória e a labuta espiritual pelo povo de Deus, para que todas as promessas sejam cumpridas (cf. Is 56.6-8; 62.1,2,6,7; 66.7-18). 
 
Características Especiais
 
Oito aspectos básicos caracterizam o livro de Isaías. (1) Em sua maior parte, está escrito em forma poética, e é insuperável como jóia literária na beleza, poder e versatilidade. (2) É chamado "o profeta evangélico", porque, dentre todos os livros do Antigo Testamento, suas profecias contêm as declarações mais plenas e claras sobre Jesus Cristo. (3) Sua visão da cruz (cap. 53) é a profecia mais específica e detalhada sobre a morte expiatória de Jesus. (4) É o mais teológico e extenso de todos os livros proféticos do Antigo Testamento. O período de tempo ali tratado remonta à criação dos céus e da terra (e.g., Is 42.5), e olha para o futuro, aos novos céus e nova terra (e.g., Is 65.17; 66.22). (5) Contém mais revelação a respeito da natureza, majestade e santidade de Deus do que qualquer outro livro profético do Antigo Testamento. O Deus de Isaías é Santo e Todo-poderoso, Aquele que julgará o pecado e a iniquidade dos seres humanos e nações. Sua expressão predileta para Deus é "o Santo de Israel". (6) Isaías, cujo nome significa "o Senhor salva", é o profeta da salvação. Ele emprega a palavra "salvação" quase três vezes mais do que todos os livros proféticos do Antigo Testamento. Isaías revela que o propósito divino da salvação será somente realizado em conexão com o Messias. (7) Isaías faz frequentes referências aos eventos redentores da história de Israel: exemplo, o Êxodo (Is 4.5,6; 11.15; 31.5; 43.16,17), a destruição de Sodoma e Gomorra (Is 1.9) e a vitória de Gideão contra os midianitas (Is 9.4; 10.26; 28.21). Além disso, faz alusões ao cântico profético de Moisés em Deuteronômio 32 (Is 1.2; 30.17; 43.11,13). (8) Isaías é, juntamente com Deuteronômio e os Salmos, um dos livros do Antigo Testamento mais citados e aludidos no Novo Testamento.
 
O Livro de Isaías ante o Novo Testamento
 
Isaías profetiza a respeito de João Batista como aquele destinado a ser o precursor do Messias (Is 40.3-5; cf. Mt 3.1-3). Seguem-se muitas de suas profecias messiânicas sobre a vida e ministério de Jesus Cristo: Sua encarnação e divindade (7.14; ver Mt 1.22,23 e Lc 1.34,35; Is 9.6,7; ver Lc 1.32,33; 2.11); Sua juventude (Is 7.15,16 e 11.1; ver Lc 3.23,32 e At 13.22,23); Sua missão (Is 11.2-5; 42.1-4; 60.1-3 e 61.1; ver Lc 4.17-19,21); Sua obediência (Is 50.5; ver Hb 5.8); Sua mensagem e unção pelo Espírito (Is 11.2; 42.1; e 61.1; ver Mt 12.15-21); Seus milagres (Is 35.5,6; ver Mt 11.2-5); Seus sofrimentos (Is 50.6; ver Mt 26.67 e 27.26,30; Is 53.4,5,11; ver At 8.28-33); Sua rejeição (Is 53.1-3; ver Lc 23.18; Jo 1.11 e 7.5); Sua humilhação (Is 52.14; ver Fp 2.7,8); Sua morte expiatória (Is 53.4-12; ver Rm 5.6); Sua ascensão (Is 52.13; ver Fp 2.9-11); e Sua segunda vinda (Is 26.20,21; ver d v. 14; Is 61.2,3; ver 2 Ts 1.5-12; Is 65.17-25; ver 2 Pe 3.13).
 
 
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BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, Edição de 1995, ano 2002, pp. 991 e 992.
 

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