domingo, 16 de julho de 2017

PASTOR É DETIDO EM AEROPORTO DOS ESTADOS UNIDOS


Já entrei em alguns países e, graças a Deus, nunca tive problema com o Setor de Imigração em nenhum deles. Passei pelos aeroportos de Lisboa, Miami, Amsterdam, Paris, Aruba, Caracas, Madri e Genebra sem nunca passar por constrangimentos. Algumas pessoas dirão que tive sorte, pois sabem que entrar em alguns países sem passar por certos dissabores é praticamente uma loteria. Por isso, achei interessante falar sobre este assunto, a fim de orientar aqueles e aquelas que estão se preparando para a primeira viagem internacional, principalmente se forem para os Estados Unidos, Portugal ou Espanha.

A alegria de tirar o passaporte pela primeira vez é muito grande — há pessoas que fazem até culto de ação de graças. A sensação que se tem é que o passaporte vai abrir as portas de todas as nações, como se ele fosse uma espécie de chave mágica. Muitos desconhecem que cada nação possui as suas próprias leis, inclusive a que trata sobre imigração, e, sendo assim, é preciso mais que um passaporte para entrar em outros países. Vale dizer que a obtenção do visto americano não garante a entrada nos Estados Unidos da América. Na verdade, o visto americano dá permissão para que a pessoa vá até a "porta de entrada" dos EEUU. Se ela vai realmente entrar naquele país, é uma outra história. 

Um pastor muito conhecido no Brasil, em testemunho, conta como passou por grande constrangimento em um aeroporto dos Estados Unidos da América. Ele havia sido convidado para ministrar em algumas igrejas naquela nação. Porém, ao passar pelo Setor de Imigração, acabou sendo detido e levado para a tão temida salinha. E é justamente nessa dita salinha que o pior acontece — muitos não aguentam a humilhação e passam a ter crise de choro.  

A repórter Laura Capriglione, em 2008, escrevendo para a Folha de São Paulo, relatou um fato que ocorreu com um padre que foi para a Espanha a convite de um colega. Leia abaixo parte da matéria:  

Dentro da escalada de denegações de ingressos de brasileiros em seu território, a Espanha, um dos maiores países católicos do mundo, não poupou nem mesmo um clérigo. Deportou-o de volta ao Brasil.

De nada adiantou o padre Jeferson Flavio Mengali, 34, apresentar à polícia de fronteira, no aeroporto de Barajas, em Madri, sua carteira de padre, documento de identidade expedido pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), onde aparece com a clégima (colarinho típico dos pastores católicos); nem a passagem de volta; nem os 800 euros mais US$ 300 dólares (total de R$ 2.673,15); nem os três cartões de crédito internacionais. Nem o endereço do padre Claudio Francisco de Oliveira, na igreja de São José, que o acolheria em sua estadia madrilenha. Nem o telefone da igreja.

No passaporte brasileiro do padre Jeferson, agora, vê-se um carimbo de ingresso na Comunidade Européia, com um risco forte, feito a mão. Denegado. "É uma mácula e eu temo que isso me prejudique mais tarde", diz.

O padre Jeferson, diocesano de Bragança Paulista, 85 km de São Paulo, chegou à Espanha no dia 10 de janeiro às 7h. Às 24h, foi enfiado no chiqueirinho de um camburão da polícia em companhia de outros três brasileiros também deportados e levado para a porta dos fundos de um avião da Iberia com destino a São Paulo.

Teve de esperar todos os passageiros embarcarem, para, então, ser retirado do carro policial com os demais e caminhar sob escolta até o avião, onde o entregaram ao comandante. "Fomos tratados como perigosos criminosos", lembra ele. Uma das maiores ofensas "não ao padre, mas ao ser humano", diz, já tinha acontecido.

Foi quando, logo na chegada a Madri, revistada a bagagem de mão do padre, encontraram-se uma túnica branca comprida e uma estola dourada, bordada com a estampa de Nossa Senhora Aparecida.

Diante dos trajes litúrgicos, um dos policiais perguntou: "Que é isso?", ao que outro sugeriu: "Fantasia de Carnaval?"

Mengali explicou que tinha levado as peças porque fora convidado a participar da cerimônia de ordenação de um padre conhecido, que se tornaria bispo. E fizera questão de levar a estola bordada com a imagem da padroeira do Brasil, em homenagem ao colega. "Foi um desrespeito enorme", diz.

A túnica branca, a estola, o celular e os pertences pessoais do padre foram-lhe tomados e ele, após cinco horas sem explicações sobre o que ocorria, foi levado para o outro lado do aeroporto, onde ficam os deportáveis, e onde pôde, pela primeira vez, ligar para os pais (que moram em São Paulo) e para o colega que o hospedaria na Espanha. "Durante todo o tempo de reclusão, não dormi, não comi, não pude escovar os dentes. Estava aflito."

O brasileiro nunca esteve na Europa  seria sua primeira vez. O convite para a viagem veio do padre Claudio, que, também brasileiro, está na Espanha, cursando o doutorado na Universidade de Comillas, instituição de padres jesuítas.

O padre Claudio estava no aeroporto esperando pelo colega. Passou horas no local e, ao ser avisado de que o compatriota estava detido, procurou as autoridades do clero espanhol, falou com um bispo de Madri, "tentou de tudo". Em vão. (Clique aqui para ler a matéria na íntegra).

O que aconteceu com o pastor e com o padre brasileiros pode acontecer com qualquer pessoa. Não há como prever o que vai ocorrer com alguém que vai passar pelo Setor de Imigração de outro país. Todavia, há alguns conselhos que podem ajudar muito a quem pretende viajar para outra nação, minimizando a possibilidade de constrangimentos, humilhações e, até, deportação.

Em outra postagem, darei dicas e elencarei os direitos dos estrangeiros que são barrados em aeroportos.

Fique na paz do Senhor Jesus Cristo!